A viagem foi programada de última hora, em
poucos dias. Fizemos um roteiro e um orçamento aproximado. A intenção era
visitar um bom número de cidades do sul da Argentina em uma semana e da forma
mais barata possível. A solução foi fazer pelo menos um trecho da viagem de trem,
meio de transporte muito barato na Argentina, mas que aos poucos está se
extinguindo.
No dia 29 de novembro, tomamos um ônibus de Santa
Fe a Buenos Aires (mais ou menos 200 pesos). A intenção era pegar o trem que
saía de lá a Bahia Blanca em
sextas-feiras. Logo que chegamos, pela manhã, deixamos nossas mochilas no
guarda volumes da rodoviária (15 pesos). Saímos a pé em direção à estação de
Constituição. Compramos passagens para as 19h45. Só havia passagens da classe
turista, mais simples, barata e também desconfortável, que já estávamos
planejando comprar (95 pesos). Tínhamos então um dia inteiro a passar em Buenos
Aires. Fizemos o passeio de forma a seguir de volta a Rodoviária, retiramos
nossas coisas do guarda-volumes e voltamos à Constituição pegando um metrô ($3,50).
A viagem até Bahia Blanca durou 14 horas. Chegamos lá às 9h45, seguimos até a
Rodoviária do local e conseguimos uma passagem por volta do meio dia para Viedma (3 horas), capital de província
de Río Negro. Chegando lá, logo fomos
para um hostel que Mariana já havia contatado previamente. A cidade era um
tanto parada, até demais para ser uma capital de província, o que fomos
descobrir mais tarde que não quer dizer nada na Argentina. Grande parte das
capitais receberam este título apenas por serem cidades de importância
histórica. No dia seguinte, tomamos um ônibus comum para um balneário ali
perto, El Condor ($8,00). O lugar era
realmente encantador, com rochedos, um mirante e uma colônia de lindos
papagaios (foto 1) em uma ponta e o encontro do Río Negro com o mar na outra.
Tudo muito vazio também. Naquele dia
pagamos mais uma estadia do hostel ($130,00) e tomamos um ônibus às 4h da
madrugada para Puerto Madryn, na província
de Chubut (6h30 de viajem, 169 pesos).
1.
Balneário
El Condor. (clique nas fotos para ampliar)
Chegando em Puerto Madryn nos deparamos com uma
tempestade de poeira. Muito vento, muita areia e poucas pessoas mais uma vez.
Fomos de cara bombardeadas com passeios turísticos de preços salgados no centro
de informações turísticas, para conferir a fauna das redondezas: baleias,
pinguins, lobos marinhos, focas e golfinhos. Havia apenas algumas opções mais
baratas, como seguir para Punta Loma
de carro e ver os lobos marinhos através de uma empresa de turismo, dividindo
entre mais pessoas, ou então seguir para o mesmo lugar de bicicleta alugada.
Acabamos não optando por estes passeios.
Na tarde do primeiro dia em Puerto Madryn, tomamos
um ônibus partindo da Rodoviária para uma cidade vizinha, Trelew (25 pesos). Uma cidade não muito grande e muito pacata.
Havia ali alguns pontos para conferir no centro da cidade e alguns museus.
Quando terminamos nosso percorrido fomos buscar informações sobre um memorial
que havíamos recebido um panfleto no museu histórico da cidade: o Centro Cultural por la Memoria (2).
Para nossa surpresa a mulher que estava dando
informações turísticas na rodoviária não sabia muito sobre o local: “Primeira
vez que alguém me pede sobre este lugar”. Fez um telefonema para ver se estava
aberto, sim, estava. Tomamos um taxi e seguimos para lá. O local era um antigo
aeroporto, na saída da cidade, parecia no meio do nada. Tentamos entrar, um
homem abriu a porta. Ele nos explicou do que se tratava, o prédio havia sido
restaurado em memória de um fato que havia se passado ali na época da ditadura.
Ficamos impressionadas com a história que ele nos contou mostrando a
exposição. Como tínhamos tempo de sobra,
ele nos mostrou até mesmo um documentário. O lugar era muito bonito, a
restauração preservou as homenagens que já haviam sido feitas por alunos de
escolas ao longo dos anos nas paredes. No final do dia ganhamos até uma carona
deste senhor de volta para o centro. Ele nos falou mais sobre a cidade e também
sobre como aquele memorial era importante e como recebia poucas visitas, o que
nós concordamos.
2. Centro Cultural Por La
Memoria.
No dia seguinte fizemos uma caminhada pela
praia de Puerto Madryn, passeio simples e sem custo que ninguém nos indicou. A
água era bonita, azul e límpida. Seguimos até uma parte mais alta, Punta Cuevas
(3). Por ali havia um monumento e umas ruínas da época dos índios, também um
museu “Ecocentro” que estava fechado em terças-feiras. Ficamos ali só na
vontade de seguir mais adiante, até Punta Loma e poder ver pelo menos algum
animal, mas já era tarde.
3.
Punta
Cuevas.
Voltamos, compramos passagem até Trelew (25
pesos) e de lá até Rawson (6,25), a
pequena capital. A intensão era sair dali para Esquel, mas percebemos o erro tarde demais: o mesmo ônibus passava
em Puerto Madryn também. A passagem
para Esquel custou 254 pesos, quase dez horas de viagem
até lá. Chegando em Esquel compramos
diretamente uma passagem para Bariloche,
mais 5/6h de viajem, cerca de 100 pesos.
Chegando em Bariloche nos instalamos em um hostel
bom e barato: Punto Sur, gastamos 70 pesos com a diária. Naquela tarde
caminhamos por ali e conhecemos alguns pontos turísticos. Finalmente uma cidade
viva, automóveis, pessoas circulando, crianças voltando da escola. Nos
encantamos com a beleza daquilo tudo, com os recortes no meio da cidade em que
se podia ver o lago Nahuel Huapi de
um azul que gritava (4). A cidade era tomada por turistas, ouvíamos muitas
línguas ao caminhar pelas ruas. Consequentemente havia muitos hosteis, hotéis,
empresas de turismo, chocolateiras, casas de vinho e por aí vai. A arquitetura
possuía claras influências alemãs, traços salientados mesmo em edificações
novas para sustentar o turismo.
4.
Janelas
para o lago Nahuel Huapi no meio da cidade de Bariloche.
No dia seguinte pela manhã fizemos o passeio
mais comum da cidade com uma empresa de turismo, chamado Circuito Chico. Nos custaram 115
pesos, mais 90 pesos de um
teleférico no caminho para o mirante 360° do Cerro Campanário (5). A vista é
realmente impressionante.

5.
Decida do
teleférico de Cerro Campanário.
Em nossas últimas horas em Bariloche passeamos
pela cidade e fomos até uma parte da praia do gélido Nahuel Huapi. Por ali
desfrutamos da magia daquele lugar (6). Logo, logo, seguiríamos de volta a
Buenos Aires e de Buenos Aires até Santa Fe, num total de 30 horas de viajem em
ônibus (756 + 250 pesos).
6.
Lago
Nahuel Huapi e seu entorno.
Obs: Os valores de passagens de ônibus são
todos com desconto de estudante.
Texto e imagens por Marília Backes.





Que lindaaaaa!!!! *_* Amei
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