segunda-feira, 24 de março de 2014

Sul da Argentina: dezembro de 2013


A viagem foi programada de última hora, em poucos dias. Fizemos um roteiro e um orçamento aproximado. A intenção era visitar um bom número de cidades do sul da Argentina em uma semana e da forma mais barata possível. A solução foi fazer pelo menos um trecho da viagem de trem, meio de transporte muito barato na Argentina, mas que aos poucos está se extinguindo.
No dia 29 de novembro, tomamos um ônibus de Santa Fe a Buenos Aires (mais ou menos 200 pesos). A intenção era pegar o trem que saía de lá a Bahia Blanca em sextas-feiras. Logo que chegamos, pela manhã, deixamos nossas mochilas no guarda volumes da rodoviária (15 pesos). Saímos a pé em direção à estação de Constituição. Compramos passagens para as 19h45. Só havia passagens da classe turista, mais simples, barata e também desconfortável, que já estávamos planejando comprar (95 pesos). Tínhamos então um dia inteiro a passar em Buenos Aires. Fizemos o passeio de forma a seguir de volta a Rodoviária, retiramos nossas coisas do guarda-volumes e voltamos à Constituição pegando um metrô ($3,50).
A viagem até Bahia Blanca durou 14 horas. Chegamos lá às 9h45, seguimos até a Rodoviária do local e conseguimos uma passagem por volta do meio dia para Viedma (3 horas), capital de província de Río Negro. Chegando lá, logo fomos para um hostel que Mariana já havia contatado previamente. A cidade era um tanto parada, até demais para ser uma capital de província, o que fomos descobrir mais tarde que não quer dizer nada na Argentina. Grande parte das capitais receberam este título apenas por serem cidades de importância histórica. No dia seguinte, tomamos um ônibus comum para um balneário ali perto, El Condor ($8,00). O lugar era realmente encantador, com rochedos, um mirante e uma colônia de lindos papagaios (foto 1) em uma ponta e o encontro do Río Negro com o mar na outra. Tudo muito vazio também.  Naquele dia pagamos mais uma estadia do hostel ($130,00) e tomamos um ônibus às 4h da madrugada para Puerto Madryn, na província de Chubut (6h30 de viajem, 169 pesos).

1.       Balneário El Condor. (clique nas fotos para ampliar)


Chegando em Puerto Madryn nos deparamos com uma tempestade de poeira. Muito vento, muita areia e poucas pessoas mais uma vez. Fomos de cara bombardeadas com passeios turísticos de preços salgados no centro de informações turísticas, para conferir a fauna das redondezas: baleias, pinguins, lobos marinhos, focas e golfinhos. Havia apenas algumas opções mais baratas, como seguir para Punta Loma de carro e ver os lobos marinhos através de uma empresa de turismo, dividindo entre mais pessoas, ou então seguir para o mesmo lugar de bicicleta alugada. Acabamos não optando por estes passeios.
Na tarde do primeiro dia em Puerto Madryn, tomamos um ônibus partindo da Rodoviária para uma cidade vizinha, Trelew (25 pesos). Uma cidade não muito grande e muito pacata. Havia ali alguns pontos para conferir no centro da cidade e alguns museus. Quando terminamos nosso percorrido fomos buscar informações sobre um memorial que havíamos recebido um panfleto no museu histórico da cidade: o Centro Cultural por la Memoria (2).
Para nossa surpresa a mulher que estava dando informações turísticas na rodoviária não sabia muito sobre o local: “Primeira vez que alguém me pede sobre este lugar”. Fez um telefonema para ver se estava aberto, sim, estava. Tomamos um taxi e seguimos para lá. O local era um antigo aeroporto, na saída da cidade, parecia no meio do nada. Tentamos entrar, um homem abriu a porta. Ele nos explicou do que se tratava, o prédio havia sido restaurado em memória de um fato que havia se passado ali na época da ditadura. Ficamos impressionadas com a história que ele nos contou mostrando a exposição.  Como tínhamos tempo de sobra, ele nos mostrou até mesmo um documentário. O lugar era muito bonito, a restauração preservou as homenagens que já haviam sido feitas por alunos de escolas ao longo dos anos nas paredes. No final do dia ganhamos até uma carona deste senhor de volta para o centro. Ele nos falou mais sobre a cidade e também sobre como aquele memorial era importante e como recebia poucas visitas, o que nós concordamos.

2.       Centro Cultural Por La Memoria.

No dia seguinte fizemos uma caminhada pela praia de Puerto Madryn, passeio simples e sem custo que ninguém nos indicou. A água era bonita, azul e límpida. Seguimos até uma parte mais alta, Punta Cuevas (3). Por ali havia um monumento e umas ruínas da época dos índios, também um museu “Ecocentro” que estava fechado em terças-feiras. Ficamos ali só na vontade de seguir mais adiante, até Punta Loma e poder ver pelo menos algum animal, mas já era tarde.

3.       Punta Cuevas.


Voltamos, compramos passagem até Trelew (25 pesos) e de lá até Rawson (6,25), a pequena capital. A intensão era sair dali para Esquel, mas percebemos o erro tarde demais: o mesmo ônibus passava em Puerto Madryn também. A passagem para Esquel custou 254 pesos, quase dez horas de viagem até lá. Chegando em Esquel compramos diretamente uma passagem para Bariloche, mais 5/6h de viajem, cerca de 100 pesos.
Chegando em Bariloche nos instalamos em um hostel bom e barato: Punto Sur, gastamos 70 pesos com a diária. Naquela tarde caminhamos por ali e conhecemos alguns pontos turísticos. Finalmente uma cidade viva, automóveis, pessoas circulando, crianças voltando da escola. Nos encantamos com a beleza daquilo tudo, com os recortes no meio da cidade em que se podia ver o lago Nahuel Huapi de um azul que gritava (4). A cidade era tomada por turistas, ouvíamos muitas línguas ao caminhar pelas ruas. Consequentemente havia muitos hosteis, hotéis, empresas de turismo, chocolateiras, casas de vinho e por aí vai. A arquitetura possuía claras influências alemãs, traços salientados mesmo em edificações novas para sustentar o turismo.

4.       Janelas para o lago Nahuel Huapi no meio da cidade de Bariloche.


No dia seguinte pela manhã fizemos o passeio mais comum da cidade com uma empresa de turismo, chamado Circuito Chico. Nos custaram 115 pesos, mais 90 pesos de um teleférico no caminho para o mirante 360° do Cerro Campanário (5). A vista é realmente impressionante.


5.       Decida do teleférico de Cerro Campanário.

Em nossas últimas horas em Bariloche passeamos pela cidade e fomos até uma parte da praia do gélido Nahuel Huapi. Por ali desfrutamos da magia daquele lugar (6). Logo, logo, seguiríamos de volta a Buenos Aires e de Buenos Aires até Santa Fe, num total de 30 horas de viajem em ônibus (756 + 250 pesos).

6.       Lago Nahuel Huapi e seu entorno.


Obs: Os valores de passagens de ônibus são todos com desconto de estudante.

Texto e imagens por Marília Backes.

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